MMXI

December 31, 2010

Finda o ano …  vamos lá ver se o almanaque borda d’água mais uma vez acerta nas suas previsões … Lá no “tempo revolto” acertou ele.

E o que nos espera em 2011? A vida não corre bem a todos, mas o pessimismo por vezes é uma máscara que faz as coisas parecerem muito piores do que são. Pessoalmente, conto cada vez prestar menos atenção aos noticiários e às tragédias diáriamente marteladas por eles; como comentou Carlos Pinto Coelho, a pobreza dos noticiários é comparável a um menú em que política é o bacalhau à Brás, as notícias de economia o frango assado de churrasco e as notícias de futebol o bitoque.

Que 2011 nos traga uma atitude menos ….. E para isso celebremos! A um ano mais ***

E como se celebra a passagem d’ano no resto do mundo? Uns países têm tradições (despedidas colectivas), outros nem por isso. Há algumas que gostaria de presenciar, nomeadamente :

  • No japão come-se soba, uma vez que estes noodles longos e finos simbolizam longevidade (não será somente por isso, mas lá longevidade têm eles); e antes da meia-noite, os sinos dos templos começam lentamente a dobrar. Começam assim as peregrinações aos templos – e quem tiver sorte poderá fazer soar o joya-no-kane!
  • Times Square – a famosa New Year’s Eve Ball desce do topo do Times Square, num ambiente iluminado de forma deslumbrante. E ao que parece vão também  ser lançados confettis com desejos para o novo ano, escritos por pessoas de todos os cantos do mundo.
  • E por fim, Veneza – onde as pessoas se deslocam à Piazza San Marco para, às 12 badaladas, lançar ao ar (em jeito de despedida) alguma coisa que simbolize o ano que passa.

E então … que desejos para 2011? Desejos impossíveis, ou demasiado realistas? Talvez até estabelecer alguns objectivos para o próximo ano, esperando que estes contribuam para um futuro melhor. Espero que todos tenham ambições para o próximo ano e que não se deixem contaminar pelo pessimismo de alguns. Há que ser realista, mas também é preciso sonhar um bocadinho. Sem sonhos impossíveis, nunca seriamos capazes de ultrapassar os nossos próprios limites … certamente não será possível realizar todos os nossos desejos, mas também não é preciso fazer tudo de uma vez! Até pr’o ano!

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Introduction to Number Theory

December 26, 2010

The Devil said to Daniel Webster: “Set me a task I can’t carry out, and I’ll give you anything in the world you ask for.”

Daniel Webster: “Fair enough. Prove that for n greater than 2, the equation a^n + b^n = c^n has no non-trivial solution in the integers.”

They agreed on a three-day period for the labor, and the Devil disappeared. At the end of three days, the Devil presented himself, haggard, jumpy, biting his lip. Daniel Webster said to him,

“Well, how did you do at my task? Did you prove the theorem?” “Eh? No … no, I haven’t proved it.”

“Then I can have whatever I ask for? Money? The Presidency?”

“What? Oh, that of course. But listen! If we could just prove the following two lemmas”

– The Mathematical Magpie , Clifton Fadiman

Silent Christmas

December 25, 2010

after the rain …

December 22, 2010

” But flowers distill’d, though they with winter meet,

Leese but their show; their substance still lives sweet . “

– William shakespear : The poems and Sonets (Wordsworth press)

 

With time things change without us noticing; landscape, people – they’ll always keep changing while we’re not there. Nothing can stand still without withering. Quietly and silently changing – there’ll always be that subtle change – that very inner part of ourselves we have given away with a warm smile. They’ll always remind us we’ve been there – we were there.

 

A lebre de Vatanem

December 22, 2010

” Dois homens viajavam de carro, irritados e taciturnos, com a vista irritada pela luz do ocaso que passava através do para-brisas. (…) Eram um jornalista e um fotografo requisitado para o serviço, dois seres cínicos, infelizes, com cerca de quarenta anos; as esperanças dos seus tempos de juventude estavam longe, muito longe de se terem concretizado. Casados, enganados, desiludidos, ambos tinham um principio de ulcera no estômago e outras preocupações quotidianas. “

Vatanen e’ jornalista em Helsínquia. Num domingo ‘a tarde de Junho, quando volta do campo com um amigo este atropela uma lebre  numa estrada. Vatanen sai do carro e embrenha-se nos bosques. Consegue descobrir a lebre ferida, faz-lhe uma tala grosseira e mergulha deliberadamente na natureza.

E aqui começa a aventura de Vatanen, sempre acompanhado da lebre;  juntos percorrem a Finlândia , Lapónia e o Círculo Polar Árctico. A Vatanem acontece de tudo um pouco ao longo da sua aventura  : abandona a mulher, pesca clandestinamente, consome álcool por ele destilado clandestinamente no meio de um incêndio florestal (e mesmo assim consegue ainda ajudar animais a fugir ao incêndio), profana um corpo recentemente defunto, ‘pesca’  viaturas militares do fundo de um rio, aparece sem ser convidado num jantar oficial, caça várias vezes espécies protegidas e entra na União Soviética sem visto nem passaporte.

Esta aventura e’ tudo menos turismo. Vatanen abdica da sua vida estável (e insuportavelmente monótona) rumo ao desconhecido. Amanha-se como pode, hoje lenhador, amanha consertando uma cabana no topo das montanhas infestadas de animais selvagens. Não sabe se o dia que se segue pode meter um ponto final na sua historia e ainda assim e’ feliz. A lebre deu-lhe algo que a sua vida mecânica em Helsínquia nunca lhe poderia alguma vez oferecer.

Rui Lagartinho, intitula a sua “Critica Ipsilon”, para o público e acerca de este livro, de “Uma lebre com sorte” ; Mas de quem terá sido a sorte? Da lebre ou de Vatanen?

Fica a pergunta … seguirias a lebre ?

My baby blue

December 20, 2010

Como o tempo passa… Aínda há dois dias era difícil largar o computador, sempre contanto o tempo que restava para entregar o último dos projectos desta temporada. Aínda há muito que fazer, mas também temos que nos perdoar algumas indulgências para sermos felizes.

Não desgosto de lisboa. Aínda assim, esta cidade que nunca dorme… é talvez demasiado cinzenta. Foi então que, por entre a minha grande janela me perdi a olhar a chuva. A normalidade dita que o lisboeta não gosta da chuva. Não posso ignorar que todos os que não têm casa sofrem muito com a chuva(verdadeiramente triste…). Mas quanto a todos os outros, que têm uma casa para onde voltar e um cabide onde pendurar o casaco. Para todos aqueles que podem gozar deste pequeno capricho, aproveitem alguns minutos das vossas vidas a ver e ouvir atentamente a chuva.

E neste pequeno sonho meu, tinha o “My Baby Blue” como música de fundo – e lá se perderam os ruídos da cidade na distância,  enquanto eu entrava nesta fantasia.  Tudo isto para  lembrar que …

Estamos bem em qualquer sítio – e a chuva não é assim tão má quanto isso.

Le cygne (o cisne)

November 14, 2010

Dois pianos e um violoncelo : são tudo que o movimento mais célebre da suite  Le carnaval des animaux ( O carnival dos animais) precisa para descrever românticamente  a imagem de um cisne, descendo elegantemente pelas águas . Esta peça do compositor francês Camille Saint-Saëns nasceu quando este passava férias numa pequena vila Austriaca. À excepção do cisne, nenhum dos outros 13 movimentos foi publicado enquanto Saint-Saëns foi vivo, por recear que lhe pudessem arruinar a reputação …

[apesar de ser uma criança prodígio – começou a escrever as suas peças com 3 anos e meio! – teve dificuldade em impor as suas primeiras obras por ser visto como um revolucionário. Valeu-lho o apoio do seu amigo Liszt que lhe permitiu apresentar a sua obra-prima lírica Sansão e Dalila. Depois da morte dos seus filhos e da posterior separação da mulher, levou uma vida errante preenchida de ceptcismo. Foi no entanto nos anos 80 que escreveu as suas maiores obras primas – de Henrique VIII ao Carnaval dos Animais] – in Guia Fnac Música Clássica

No início do século 20, o ballet  The Dying Swan foi coreagrafado ao som deste mesmo Cygne e surgiu como pièce d’occasion para a bailarina Anna Pavlova. E por sua vez, este grande ícone do bailado russo serviu ainda para inspirar o doce com o mesmo nome. E uma vez que o Natal está à porta, deixem-me perguntar : quantos de vós conhecem o doce Pavlova?  Acredita-se que foi criado em honra da bailarina e é normalmente servido por altura do Natal. Sendo maioritáriamente constituído por claras (o que é óptimo para gastar as claras depois de fazer um pastel de nata ou qualquer doce alentejano) e a sua cor predominante o branco, é normalmente acompanhado de frutos vermelhos da época. Experimentem usar amoras,morangos ou até mesmo romã ! Existem diversas variantes da receita, mas um dia destes deixo aqui no blog a receita lá de casa ^_^.

November 14, 2010

Como o tempo voa quando temos com que nos ocupar! Graças a isso, maleitas espirituais não tenho – ainda assim, não pude deixar de sucumbir ao flangelo da constipação… Veremos quem vence! Tal como a Vovó Joaquina, “Não há tempo pr’a doença”.  Aliás, também não há muito tempo aqui pr’o wordpress, mas com a mente cheia computer security e o corpo de paracetamol, uma pequena fuga aos meus deveres não pode ser levada a mal…

Sempre tive como orientação editorial a ausência de qualquer rumo bem definido  – afinal, o mundo tem tanta coisa interessante e nós estamos cá tão pouco tempo (por comparação) que seria extremamente monótono (e um desperdício) não tentarmos alcançar coisas novas. Infelizmente, este meu blog é suficientemente incoerente para cumprir esse propósito, mas ainda talvez consiga servir de aperitivo para vos despertar o apetite para outros temas que nunca julgaram interessantes. Pensem nele como uma obra de patchwork .

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— Ariane5 – how small things can become a great deal…

Julgo ser do senso comum que não há qualquer sistema que seja completamente seguro – nem qualquer segredo suficientemente secreto. O que a maioria das pessoas não sabe é que a maioria dos sistemas são muito mais frágeis do que aquilo que aparentam realmente ser! – a quantos de voz não vos crashou um qualquer programa? Essa falha pode ser suficientemente grave para permitir a alguém subverter o programa ou ganhar acesso ao computador. As portas de entradas são mais que muitas, aliás – quantas mais se descobrem (e se tentam corrigir) mais são descobertas! Os integer overflow e buffer overflow são como encher um copo com água. Podemos não encher completamente o copo, podemos encher o copo mesmo até cá a cima e ele deixa vazar alguma água em seu redor ou, em último caso, pode até mesmo inundar todo o espaço à sua volta. Em termos mais técnicos, isto equivale a dizer que estamos a tentar armazenar mais informação do que o espaço de memória em causa permite. Como os programadores não estão, muitas das vezes, atentos a esta vulnerabilidade,acabam por permitir que o atacante consiga escrever práticamente onde quizer na memória do computador! Penso que stá tudo dito … o atacante pode começar por corromper o programa e acabar a controlar o computador! Uma das falhas mais conhecidas , associadas a overflows foi a explosão do Ariane5 – que devido a um erro de software se desviou da rota prevista e activou o mecanismo de autodestruição. Tudo por causa de um arithmetic overflow!

Cavaco – A imagem da Seriedade (ou talvez da Selectividade?)

Quer se goste ou não do presente presidente, temos que admitir que tem feito um excelente trabalho em tentar manter uma certa distância de toda a selva política. Recusando-se a comentar os assuntos, ou remetendo-se a respostas vagas e evasivas, Cavaco tem conseguido sustentar uma certa neutralidade (quase confundível com uma ausência) da política portuguesa e, pior ainda, do próprio país. E como é claro, o twitter da sua presidência não é muito diferente…

A pergunta que nos colocou não se encontra dentro do âmbito da candidatura.

Mas que mais me aflige não são as suas qualidades enquanto político; por omissão (default), os políticos saem da linha de montagem sem qualquer verdadeira habilidade para exercer política(e a esmagadora maioria permanece assim). O que me aflige são as lacunas que apresenta enquanto pessoa. Diz ler artigos de economia e , mas isto dá uma imagem um bocado desértica sobre um dos homens que reclamam o dever de orientar o nosso país. Os grandes líderes são também grandes pessoas(pessoas completas), mas parece que em aqui,como em muitos outros países, temos medo de apostar nessas pessoas.

O meu primeiro propósito é unir e mobilizar os Portugueses

Pergunto-me como é que o vai fazer ( e porque é que não o tentou fazer antes )…

E uma vez que em termos políticos não conseguimos encontrar nada de muito animador, é caso para perguntar, Cavaco – Política = ?

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E para finalizar, um reparo a uma peça de noticiário de há poucos dias : Um inquérito referente aos gastos natalícios apurou que os Lusos planeiam gastar cerca de 300€ em presentes e 150€ em alimentação, contrastando com os Alemães, que pretedem remediar-se com 300€ para as 2 coisas … Por isso é que a Alemanha é a nação do Arbeit (que subsidia os parasitas europeus) e o tuga … chapéu.

 

November 7, 2010

Muita gente defende que a rádio morreu. Certamente que esta é uma opinião contestável; é verdade que hoje não dependemos da rádio para ouvir as músicas de que gostamos. Mas não será essa uma limitação nossa? Uma crescente incapacidade de contactar com coisas novas? De que nos serve ter uma internet a abrir-nos a janela para o mundo, se os nossos olhos se recusam a passar do parapeito e olhar para além do horizonte?

E por isso continuo a defender a existência de boa rádio. Sim, porque nem tudo é preto nem branco. Nomeadamente, a antena1 ainda me consegue cativar com alguns dos seus programas. Entre eles encontra-se o RETRATOS DA REPÚBLICA ; Evito-me de descrever o programa porque a sua qualidade fala por sí – Experimentem ouvir!

No programa de hoje recordei  Almada Negreiros e o seu célebre Manifesto Anti-Dantas – onde este defendeu a necessidade de mudar as mentalidades e a sociedade (necessidade que aínda persiste…) . Hoje os Dantas são outros e amanhã outros lhes tomarão os lugares; e porque esta constante labuta é normalmente esquecida em tempos de crise(económico-moral) – nunca passamos da cêpa torta – diria que é uma pescadinha de rabo na boca …

E agora, porque hoje é domingo  –  e porque sou um amante da poesia (um modesto amante, tenho que admitir …) –  não posso deixar de partilhar mais um outro poema (este também declamado por Mário Viegas ; para uma próxima vez João Villaret,Ary dos Santos – e outros ), e porque hoje é domingo…

November 7, 2010

 

” A força dos povos está na cultura ”

 

Sempre achei todo o mediatismo e atenção dada ao facebook algo artificial; sempre olhei para ele como algo banal e insípido – incapaz de justificar tanta atenção, por tanto tempo e tantas pessoas. Era como se se houvesse tornado a “nova televisão”, nova geração de fontes de entorpecimento e apatia . Ao controlarmos permanente a vida dos outros, conseguimos fugir um pouco às atrocidades que nos acontecem a todos nós – perdendo pouco a pouco a empatia que nos resta  ; assim pensei.

Mas felizmente, o mundo não é ou preto ou branco. Também o facebook tem as suas coisas boas, nomeadamente o Acontece, de Carlos Pinto Coelho. O Acontece, antigo programa da RTP2 ,foi “sacrificado” em prol de estabilidade financeira dos cofres públicos. A economia continua, como se vê, extremamente saudável – e a cultura portuguesa ficou irremediávelmente mais pobre. Infelizmente, este não é um país que valoriza muito a sua cultura – razão pela qual estaremos sempre prostrados perante outras nações, incomparávelmente mais desenvolvidas. Podemos ser ricos, mas a riqueza vai e vem – e só a riqueza interior é que nos permite subsistir às crises (afinal, o conhecimento é a derradeira arma de qualquer guerra).

Carlos Pinto Coelho, subsistiu. Lutando contra todas as adversidades continua ainda hoje a praticar esse supremo acto de humanidade – a partilha da cultura. Por isso, a todos convido a acompanharem o seu trabalho. Na sua página do facebook , podem encontrar a lista das emissoras. Infelizmente, ainda era bastante novo quando o Acontece foi cancelado. E por isso não posso dizer quanto me alegra ver este projecto continuado…